Lar doce lar / Fran en Portugal

lar2LAR DOCE LAR

A ideia por detrás da exposição “Lar Doce Lar” nasce da nossa experiência e observação quotidiana enquanto habitantes de Lisboa. Apercebemos-nos que Lisboa é uma cidade onde a habitação se está a tornar um grande problema. Há muitos aspectos deste problema e, através das imagens exibidas hoje, tentámos tocar na maioria deles.
O Bairro Padre Cruz é o bairro onde trabalhamos e onde passamos a maior parte do nosso tempo. Aqui, estamos a testemunhar a rápida mudança que está a acontecer nas ruas – mais e mais casas estão fechadas e ficam vazias durante anos, eventualmente sendo destruídas. As pessoas que ainda moram aqui têm menos vizinhos a seu lado e as autoridades estão à espera que os re stantes habitantes se mudem ou morram para também fechar as suas casas. Nós falámos com os habitantes do Bairro Padre Cruz e eles não estão satisfeitos com a situação. Querem que as suas tradicionais casas antigas sejam mantidas vivas, e querem ter casas habitadas ao invés de casas fantasmas ao lado das suas.
A maioria de nós, voluntários SVE, mora nos Anjos, mas esse bairro não é apenas o nosso lar. É também o lar de mais de 30 pessoas em situação de sem abrigo que usam as ruas como refúgio. Conversámos com Vito, um homem de 78 anos, em situação de sem-abrigo, que mora ao lado da entrada da estação de metro dos Anjos. É sem abrigo há 11 anos. Contou-nos a sua história e surpreendeu-nos com sua atitude e senso de humor, apesar da situação em que se encontra. Na sua opinião, é realmente injusto que haja tantos edifícios e casas completamente vazias, quando esses espaços poderiam ser usados de uma maneira melhor. Ele e os seus outros companheiros de rua tiveram uma oferta de alojamento, mas de acordo com eles, as condições eram terríveis e eles acabaram por considerar que viver nas ruas seria melhor. Ocasionalmente, a polícia vem e pede-lhes que saiam. Geralmente atravessam a rua e estabelecem-se num local próximo, e quando são expulsos novamente, voltam para o primeiro. “Não fiz nada de errado. Sabes, na vida, às vezes acabas num lugar muito bom, e às vezes acabas num lugar como este. Não há regras.” – disse Vito no final da nossa conversa, com lágrimas nos olhos.
Teresa, uma senhora originária de Moçambique, deu-nos um ponto de vista mais histórico da situação da habitação em Lisboa. Ela é uma “retornada” – um termo usado para todas as pessoas que retornaram das colónias portuguesas nos anos 60 e 70. Através da sua história, podemos aprender mais sobre Lisboa no passado, e como foi naqueles tempos, para um imigrante se estabelecer e começar do zero.
Decidimos também incluir o “tema quente” do arrendamento de apartamentos ou quartos em Lisboa, encarando-o como uma questão urgente que afeta os locais, mas também a comunidade internacional de estudantes, voluntários e pessoas que vêm morar, estudar e trabalhar aqui. Nos últimos anos, com o rápido crescimento do turismo, o preço dos arrendamentos disparou e parece que esta tendência continuará a crescer.
Também queríamos ver como as crianças interpretaram o tema dos Direitos Humanos. Demos a cada um deles um Artigo da Declaração dos Direitos Humanos e com sua imaginação criativa eles foram capazes de criar desenhos que são completamente honestos e que mostram algumas mensagens realmente importantes, que até nós, os adultos, às vezes esquecemos.
Esperamos que o que fizemos vos desperte o interesse sobre este tópico e que vos motive a pensar em possíveis soluções. Todos somos afetados por essas questões e não devemos permanecer quietos nem indiferentes. É nosso direito expressar as nossas preocupações e ideias, e é nossa responsabilidade tomar medidas para tornar Lisboa um lugar melhor para viver.

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